Poster – 07

Título

Hb pré dádiva – qual a sua repercussão no processo da dádiva: da suspensão do dador à validação das colheitas

Autores

Pedro Soares Simões, Teresa Sousa Guerreiro, Luís Ribeiro, Isabel Branco, Dialina Brilhante

Introdução: A prevalência da anemia (Hb<13g/dL no sexo masculino (♂ ) e <12g/dL no sexo feminino (♀) é muito elevada na população portuguesa (19,9%1) e superior à estimada pela OMS (15%), denunciando um problema de saúde pública. Esta realidade afecta a “saúde” dos dadores e respectivas colheitas. Dado que a Hb baixa (<13,5g/dL no sexo ♂ e <12,5g/dL no sexo ♀ ) é a principal causa de suspensão temporária (20,6%) e sendo esta, o último estadio do défice de ferro, é pertinente avaliar a sua dimensão nesta população.

Objectivos: Estimar a prevalência da anemia/Hb baixa, caracterizar o perfil do dador anémico/Hb baixa ao nível do sexo, faixa etária, regularidade da dádiva e recorrência da Anemia /Hb baixa.

População e Métodos: Análise retrospectiva de 3701 dadores, de que resultaram 5328 dádivas, no IPOLFG, EPE, entre 1 de Novembro de 2105 e 31 de Outubro de 2016. Foram analisados os dados registados na aplicação informática SIBAS, codificados de acordo com o Dec-Lei 267/2007.

Resultados: O número total de dadores suspensos por Hb baixa foi de 300 (8,8%), dos quais 84,3% do sexo ♀ e 54,3% na faixa etária dos 25-44 anos. A prevalência de anemia foi de 3,3%.Verificamos que 45% dos dadores com Hb baixa eram dadores regulares. Constatou-se uma recorrência de Hb baixa em 39,7% dos dadores, sobretudo no sexo ♀, 80,7%. A maioria dos casos de anemia registados eram ligeiras (99,1%). As anemias normocíticas dominaram (54,5%), seguindo-se as microcíticas (45,5%). Registámos um caso de anemia macrocítica. O nº de componentes inutilizados por o conteúdo em Hb destes ser inferior aos requisitos (40g), foi 23, e o nº de componentes  validados  dado o conteúdo em Hb dos componentes serem ≥ 40g, apesar de os respectivos dadores terem Hb baixa, foi 232.

Conclusões e Discussão: Verificámos que a prevalência de anemia e de Hb baixa na população de dadores é inferior ao esperado  provavelmente devido à atitude de sensibilização de prevenção da anemia. A  Hb baixa é maior no sexo ♀ e na faixa etária dos 25-44 (idade fértil) e quase metade destes são regulares, apresentando episódios anteriores. Da dinâmica do processo da dádiva observamos que um nº significativo de dadores considerados aptos para a dádiva, em relação ao valor da Hb pré dádiva, não preenchiam de facto os requisitos, mas constatou-se que na grande maioria destes casos, considerando o valor da Hb no componente, a unidade foi validada. Dado que a anemia é o último estadio do défice de ferro e sabendo que o valor da Hb não diagnostica este último, a estratégia mais exequível e que protege o dador do défice de ferro/anemia crónica iatrogénica, deve focar-se na educação do dador com optimização da dieta rica em ferro, espaçamento das dádivas e a monitorização das reservas de ferro através do doseamento da ferritina. Esta abordagem, direccionada sobretudo aos grupos de dadores de risco identificados, pressupõe, também a respectiva correcção terapêutica, já que o défice de ferro ligeiro condiciona morbilidade não desprezível, susceptível de diminuir a qualidade de vida do dador.

*Prevalence of anemia and iron deficiency in Portugal: the Empire study, 2013

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