Poster – 08

Título

SÍNDROMES DE MALABSORÇÃO: O IMPACTO DO TRATAMENTO DA ANEMIA FERROPÉNICA

Autores

Paula Ravasco, Maria Manuel Deveza, Carla Pereira, Fátima Rodrigues
Serviço de Imunohemoterapia do Hospital Universitário de Santa Maria – Centro Hospitalar Lisboa Norte

A anemia ferropénica (AF) é a complicação sistémica mais frequente nos doentes com síndromes de malabsorção, independentemente da etiologia. A literatura mostra prevalências de AF de 10-60% na doença inflamatória intestinal e doença celíaca, e de 6-50% pós extensa ressecção intestinal, gastectomia ou bypass gástrico (patologias contempladas neste trabalho como síndromes de malabsorção). Objetivos: num estudo retrospetivo avaliámos a resposta à terapêutica endovenosa (EV) de reposição de ferro em doentes com AF por síndromes de malabsorção, tratados no Hospital de Dia de Imunohemoterapia do Hospital de Santa Maria-CHLN. Resultados: incluímos 80 doentes com idade mediana de 47(22-83) anos; 65% eram mulheres. A patologia prevalente foi a doença inflamatória intestinal(68%),p<0,03; gastrectomia e resseção intestinal perfizeram 10%; as restantes patologias eram 22%. No baseline os valores medianos de Hb eram 11(8-13)g/dL, ferro 39(12-46)g/dL, ferritina 17(1-203)g/dL, índice saturação transferrina 17(1-29)%. A dose mediana de ferro EV administrada nesta amostra foi 700(500-1000)mg. Os resultados em mediana após a terapêutica, foram: Hb 14(11-15)g/dL, ferro 76(22-67)g/dL, ferritina 252(21-415)g/dL, índice saturação transferrina 26(6-56)%,p<0,002. Verificámos que 82% dos doentes recuperaram os seus valores analíticos de hemoglobina e parâmetros de metabolismo do ferro para valores dentro da normalidade; esta recuperação foi acompanhada de melhoria de capacidade funcional e redução significativa de queixas de astenia/cansaço para pequenos esforços, p<0,03. Conclusões: estes resultados preliminares mostram que doentes com síndromes de malabsorção necessitam de tratamento específico da AF secundária à patologia, com melhorias relevantes em parâmetros analíticos, de bem-estar e capacidade funcional. As guidelines recomendam de facto a via endovenosa para valores de hemoglobina mais baixos de forma a haver uma correção mais rápida para melhores outcomes.

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