SEXTA-FEIRA, 23 NOVEMBRO

Conferência

Novos e velhos bio-marcadores do metabolismo do ferro

15:30 – 16:15

Moderador

Nuno Gil

Palestrante

Graça Porto

Descritos há mais de 50 anos, os biomarcadores clássicos do metabolismo do ferro, nomeadamente a saturação da transferrina, os índices eritrocitários e a ferritina sérica continuam, no seu conjunto, a ser ainda os parâmetros mais informativos na abordagem da deficiência de ferro. No entanto, em situações mistas de deficiência de ferro ocorrendo na presença de infeção, doenças inflamatórias ou doença renal crónica, aqueles parâmetros perdem especificidade tornando-se muitas vezes difícil decidir se há ou não indicação terapêutica para suplementação com ferro. Casos de agravamento de infeção, cancro ou sobrecargas de ferro em doentes dialisados são exemplos de situações que têm alimentado uma crescente apreensão sobre o uso generalizado de ferro para corrigir a anemia, e cada vez mais existe a noção de que as decisões terapêuticas devem ser tomadas não com base em algoritmos rígidos ou valores de corte fixos, mas antes de forma individualizada de acordo com o impacto de outras comorbilidades e, se possível, com recurso a novos biomarcadores. Neste contexto têm sido de grande oportunidade não só os avanços a que temos assistido na compreensão dos mediadores moleculares da regulação sistémica da homeostasia do ferro mas também os avanços técnicos em termos de contadores hematológicos automáticos que permitem agora incorporar novos parâmetros de análise dos reticulócitos. Nesta apresentação serão focados especicamente três biomarcadores com potencial interesse na prática clínica. A hepcidina sérica, que reflete o estado de mobilização sistémica do ferro, principalmente do sistema macrocítico-macrofágico. O eritroferrone que foi descrito recentemente como o regulador eritropoiético da síntese de hepcidina, e está hoje já disponível como biomarcador clínico, embora a sua utilidade na prática corrente ainda esteja por validar. Finalmente será dada especial atenção à determinação do conteúdo de hemoglobina dos reticulócitos como o parâmetro mais precoce e sensível da deciência de ferro, com grande potencial de descriminação em situações de anemia da doença renal crónica.

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