SÁBADO, 24 NOVEMBRO

Conferência

Anemia em números no feminino

09:00 – 09:45

Moderador

Francisco George

Palestrante

Cândida Fonseca

O estudo EMPIRE – prevalência da anemia e da ferropenia na população portuguesa-, um estudo epidemiológico implementado pelo AWG-P em Portugal continental mostrou que a anemia, ferropénica em cerca de metade dos casos, é um problema de saúde pública na população portuguesa adulta, cuja prevalência (20,4%) superou a estimativa da OMS para Portugal (15%). De entre os grupos de risco para ferropenia com ou sem anemia, estão as mulheres, sobretudo quando em idade fértil e as grávidas. É hoje consensual que os dados epidemiológicos bem como dos grandes estudos aleatorizados, devem ser corroborados por dados observacionais da vida real. Assim, apresentamos os dados obtidos em 135 ações de rastreio efectuadas em Portugal Continental entre 2013 e 2017, em diferentes contextos, na sua maioria locais públicos e instituições de saúde. Dos 11030 indivíduos analisados, 74,2% eram mulheres e 10,2% estavam grávidas. A todos os voluntários avaliámos, por metodologia point-of-care a hemoglobina e a ferritina, como indicador das reservas de ferro no organismo. Da análise dos dados vericamos que nesta amostra extensa de homens e mulheres não 6 grávidas, as mulheres apresentam prevalência mais elevada de anemia (50,0% vs 33,3%) bem como de ferropenia (64,05% das mulheres não grávidas vs 28,93% dos homens apresentavam ferritina sérica inferior a 30 ng/dl). Vericou-se uma associação signicativa entre os níveis baixos de Hb e de ferritina e as queixas de cansaço. Verificaram-se ainda diferenças signicativas entre os níveis séricos de Hb e de ferritina nas mulheres, antes e após os 52 anos de idade, sendo ambas as variáveis signicativamente mais baixas antes dos 52 anos, em provável relação com período fértil. Comparámos as variáveis Hb e ferritina sérica das mulheres grávidas, nos diferentes trimestres da gravidez, com as de uma população cross-match de mulheres não grávidas, com idades semelhantes. No seu conjunto, a prevalência de anemia foi menor na população de mulheres grávidas comparativamente com a de mulheres não grávidas do mesmo grupo etário. Todavia a anemia foi signicativamente mais prevalente nas mulheres grávidas no 3º trimestres de gestação, em qualquer dos grupos etários, apesar dos suplementos de ferro ingeridos no decurso dos dois últimos trimestres da gravidez. Também a ferropenia foi signicativamente mais grave no 3º trimestre de gravidez (mais de 50% das grávidas tinha ferritina sérica inferior a 15 ng/dl) do que nas mulheres não grávidas, do mesmo escalão etário. Ainda que com todos os enviesamentos que sabemos que os rastreios comportam, estes dados da vida real corroboram a elevada incidência de anemia e ferropenia na população portuguesa adulta, com especial destaque para as mulheres jovens e as grávidas. Analisados os resultados à luz das normas de orientação da DGS sobre Ferropenia no adulto e Gravidez de baixo risco, bem como os riscos da carência de ferro durante a gravidez, para a mãe e para o bebé, o Anemia Working Group Portugal, em colaboração com os peritos das áreas da saúde materno-infantil, posiciona-se para propor uma homogeneização/ajustamento das referidas normas em conformidade com os resultados obtidos.

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