SEXTA-FEIRA, 23 NOVEMBRO

Mesa Redonda – Patient Blood Management

Benefícios das políticas eficientes de PBM a nível europeu

17:15 – 17:45

Moderadores

Dialina Brilhante e Carlos Falcão

Palestrante

Jorge Félix

Os programas de Patient Blood Management (PBM), para além de visarem a melhoria dos resultados em saúde dos doentes, estão associados a um menor consumo de recursos e à redução de custos em saúde. Em 2017, a Comissão Europeia publicou normas de orientação sobre o novo padrão de cuidados de saúde e a implementação de programas nacionais de PBM, dirigidas quer às Autoridades de Saúde quer aos hospitais, reconhecendo a premência da atuação e a necessidade de envolvimento de todas as partes interessadas. A necessidade da atuação em termos europeus decorre da heterogeneidade existente nas práticas de gestão do doente com anemia e de gestão dos recursos, em particular a utilização de componentes do sangue. Os dados mais recentes do consumo de unidade de eritrócitos (UE) por mil habitantes revelam variações até 2,5 vezes superiores, entre os paises europeus com maior e menor consumo de UE/1000 habitantes. Nesta palestra será apresentado um estudo de nível europeu desenvolvido com o objectivo de comparar os diferentes países em termos do consumo de UE e apontar os benecos da implementação de programas de PBM, que reduzam o consumo de UE, revelando assim os benefícios para os doentes (redução da mortalidade intra-hospitalar, diminuição da taxa de enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral), para os hospitais (redução da duração do internamento e das infecções hospitalares) e em termos de saúde pública (redução do tempo de vida com incapacidade – DALYs). Foi também desenvolvido um aplicativo para dispositivos móveis designado EU PBM Analytics Tool que permite comparar o desempenho entre países. Este aplicativo pode ser obtido gratuitamente na APPStore ou em Google play. Para Portugal, o estudo revelou que na eventualidade de redução do consumo atual de 31,6 UE/1000 para 19 UE/1000 será possível, num horizonte temporal de 5 anos, evitar 8 173 mortes prematuras (-11,2%), evitar 3 117 enfartes do miocárdio/acidentes vasculares cerebrais (17,5%), diminuir 1,12 milhões de dias internamento hospitalar (-2,6%), evitar 28 460 infecções hospitalares (-18,1%) e diminuir em 252 757 os anos de vida com incapacidade (-11,7%). Estes benefícios para além de muito importantes revelam o imperativo de um programa nacional de PBM.

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