SÁBADO, 26 NOVEMBRO

Mesa Redonda – Anemia e Coagulopatias

Anemia nas Trombopatias

15:00 – 15:30

Moderadores

Manuel Campos e Miguel Galvão

Palestrante

Catarina Lau

As trombocitopatias congénitas são doença raras, de diagnóstico complexo, e por vezes subdiagnosticadas. As manifestações hemorrágicas e a sua gravidade são muito variáveis conforme o tipo de defeito plaquetário subjacente, desde casos com sintomatologia hemorrágica muito leve até casos graves, com sintomatologia hemorrágica significativa reconhecida desde cedo na infância. As hemorragias são fundamentalmente de predomínio mucocutâneo, incluindo petéquias, equimoses, epistaxis (que podem ser graves e prolongadas, provocando anemia e necessidade de tratamento hospitalar), gengivorragias, menorragia (frequentemente presentes desde a menarca) e hemorragia significativa pós-parto, após extracção dentária ou outros procedimentos invasivos. Para avaliar a gravidade da história hemorrágica é importante ter em consideração a data do início dos sintomas, a gravidade dos episódios e a periodicidade com que ocorrem. A necessidade de suporte transfusional, bem como de intervenção médica para interromper o sangramento ou o desenvolvimento de anemia como consequência das hemorragias adiciona importância à história hemorrágica. Dentro das trombocitopatias com sintomatologia hemorrágica significativa destacamos a Trombastenia de Glanzmann, caracterizada pela deficiência quantitativa ou qualitativa de glicoproteína IIb/IIIa na superfície plaquetária e o Síndrome de Bernard Soulier, caracterizado pela deficiência do complexo glicoproteíco plaquetário Ib/V/IX . Nas mulheres com estes transtornos, as menorragias são um problema clínico frequente, que pode ser de grande gravidade, geralmente associada a um excesso de proliferação do endométrio, podendo melhorar com tratamento hormonal. Estas doentes têm, também, um risco aumentado de desenvolver quistos ováricos hemorrágicos e possivelmente endometriose, sendo um dos primeiros diagnósticos diferenciais a pensar nos quadros de dor abdominal difusa. As perdas crónicas por epistaxis, gengivorragias e menorragias condicionam frequentemente ferropénia, sendo importante a sua monitorização e suplementação quando necessário. Salienta-se que nos casos mais graves, a cronicidade e a gravidade das perdas provocam um quadro de ferropénia persistente, com necessidade de suplementação crónica.

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