SÁBADO, 29 NOVEMBRO

Conferência

Ecos do EMPIRE

16:45 – 17:30

Moderador

Lucindo Ormonde

Palestrante

Cândida Fonseca

O EMPIRE é um estudo epidemiológico transversal de uma amostra de 7890 adultos representativa da população portuguesa que estimou – questionário estruturado e medição de biomarcadores de anemia – a prevalência da anemia em Portugal em 20,4%, bem superior à estimada pela OMS. É considerado um problema moderado a grave de Saúde Pública. Esta análise pretende caracterizar a população com anemia e avaliar a perceção da doença na população portuguesa, no contexto da elevada prevalência da anemia em Portugal. A prevalência da anemia foi mais elevada nos grupos de risco: idosos, mulheres, grávidas e em indivíduos adeptos de dietas com restrições alimentares, bem como naqueles com história de neoplasia, doença crónica e com níveis de proteína C-reactiva mais elevados. Lisboa e Vale do Tejo apresentou a maior proporção de casos. Sintomas como cansaço para médios e grandes esforços, tonturas, cefaleias foram significativamente mais frequentes nos doentes anémicos. A anemia foi sobretudo diagnosticada e seguida pelo Médico de Família. Cerca de 1/4 dos diagnósticos foram realizados em consultas de Especialidade, transversalmente, mas sobretudo Ginecologia e Obstetrícia. Apenas 10,2% dos participantes referiram ter-lhes sido diagnosticada previamente anemia, mais frequentemente as mulheres (15,1%) que os homens (4,6%) e mais frequentemente na região de Lisboa e Vale do Tejo. A anemia carêncial (57,7%), sobretudo por défice de ferro (52,7%), representou a maioria dos casos conhecidos de anemia. A perceção de anemia é maior entre os participantes que referem doença crónica, história de tratamento oncológico e cirurgia recente e nos vegetarianos. Apenas 52,6% dos participantes com diagnóstico prévio de anemia reportaram ter realizado tratamento, sendo a suplementação oral de ferro o mais comum (66,7%), seguido do ácido fólico (40,0%), vitamina B12 (13,3%) e eritropoetina (6,7%). Aquando do estudo apenas 1,9% dos indivíduos com anemia estavam medicados com factores hematínicos. A maior parte dos casos de anemia não estão diagnosticados e consequentemente não estão tratados. A perceção da anemia foi preocupantemente baixa, considerando a elevada prevalência de aproximadamente um anémico em cada 5 portugueses. É urgente desenvolver estratégias com impacto no diagnóstico, tratamento e prevenção da anemia na população portuguesa.

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